Esse acabou de sair em DVD.

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O filme do diretor francês Jacques Audrillard é mais um daqueles que eu não acredito que passou pelas salas de cinema sem gerar um certo bafon. De Tanto Bater Meu Coração Parou é um soco no estômago do nosso dia-a-dia engravatado.

Tom (Romain Duris, de Albergue Espanhol e Exílios) é um jovem seguiu os passos do pai e foi trabalhar no mercado imobiliário. Sua rotina envolve transações um tanto duvidosas no meio da madrugada e expulsar a pauladas os sem-teto alojados em prédios vazios. Sua mãe era pianista concertista, mas Tom largou o instrumento após a morte dela.

Um dia, o personagem de Duris tromba com um ex-mestre de sua mãe. Este lhe oferece uma audição. Tom, fica intrigado com a oferta e vai atrás de um professor que lhe ajude a ensaiar, encontra uma jovem japonesa. Em um lance um pouco óbvio, ela ajuda ele com o piano, e ele ensina francês para ela.

O filme podia ser isso, tchanã os dois se apaixonam e temos uma história de amor. Mas não, é a busca de um homem por algo, algo que ele perdeu há muito tempo dentro dele mesmo. Ao mesmo tempo que a música retorna à vida de Tom, ele começa a parecer ter mais espaço para ser ele mesmo, uma pessoa que ele havia escondido no bolso. No entanto, a mudança é dolorosa, complicada, cheia de conflitos e pressões do mundo externo.

Tom não muda da água para o vinho, não vira um pianista ultra-sensível, não é um herói. Audrillard se mantém fiel ao seu personagem, lindamente interpretado por Duris. Tom é até o final do filme, ao mesmo tempo bruto demais para um pianista e sensível demais para o seu trabalho de quase “capanga”do mercado imbiliário.

De Tanto Bater Meu Coração Parou é um filme que fala de ser humano, no sentido mais sincero, sujo e complicado da coisa. Escolhe falar das nuances, sem julgar seus personagens.

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