Atualizando

junho 11, 2007

Eu nem sou tão picareta assim, nos poemas de 3a categoria tem coisa nova (Poemas e Afins). Vai lá!

Tem dias nessa vida que eu fico sem palavras.

“Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana.”

 Mikhail Bakunin

Voto

Crime Ferpeito

maio 30, 2006

Ok, ok entendi, blog sem atualização não ganha visitas! Peço desculpas, fui abduzida por aliens do planeta Alfa-Beta mas, eles já me devolveram, inteira, ou quase.

crime-ferpeito07.jpg

Vamos ao que interessa, o filme B mais A que está nas telas no momento, o ítalo-espanhol Crime Ferpeito. Isso, com um f mesmo. É meio um “A Noite dos Mortos Vivos” + “Vertigo” + “Parente é Serpente”, ou algo assim. Um sub-gerente ambicioso e metido a don-juan de uma loja de departamentos quer chegar ao topo, quando vê seu futuro comprometido se mete em uma enrascada e é obrigado a fazer uma pacto com o Diabo. O diabo nesse caso é a vendedora mais feia da loja que ele acaba tendo que desposar. O filme é hilário com direito a um zumbi camarada, casamento em rede nacional, desfile de palhaços e muita inteligência.

Diversão, da boa.

Truffaut

maio 1, 2006

Notinha: a trilogia do diretor francês François Truffaut com o personagem Antoine Doinel (interpretado por Jean-Pierre Léaud) citada no post “Top 5 – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” vai passar na Cinemateca no final da semana.

A programação da Mostra Truffaut deve entrar no ar no site da Cinemateca durante a semana.

Site da Cinemateca

Todos nós sabemos que só recebemos informações altamente filtradas, pelo poder do capital, pelas agências internacionais e pelos governos. O documentário “In The Shadow of the Palms” é uma daquelas obras que assustam por nos mostrar o quão longe da realidade pode estar a informação que temos sobre o que está longe dos nossos olhos.

Tive a chance de assistir esse incrível vídeo do australiano Wayne Coles-Janess no 11o Its all True, festival de documentários que acontece anualmente em São Paulo. Wayne foi para o Iraque quando os EUA estavam na iminência de atacar o país, ficou lá nas primeiras semanas da guerra e voltou após declarado o “final do conflito”. Nesse período o entrevistou professores universitários, alunos de escolas do ensino médio, um professor de luta greco-romana.

O que Wayne nos mostra é que, maioria ou não, a população do país não é composta somente pelos fanáticos religiosos que a mídia tanto mostra. Nem todas as mulheres usam burkas pretas. O que transparece é um país de terceiro mundo, como o Brasil, cheio de pessoas que lembram nosso amigos, primos, vizinhos. Um Iraque que nunca tínhamos visto.

Há uma cena com a qual é impossível não se identificar: na casa de uma família de classe média bem comum comemora-se o aniversário de uma criança. Há chapéus de festinha, decoração e na mesa algo muito parecido com os nossos brigadeiros, dedos de moça e camafeus.

O diretor filma os dias antes do primeiro ataque. Mostra o que é saber que a nação de maior poder bélico no mundo está mirando sua casa, seu bairro, e o pior, não porque eles querem te salvar de algum ditador, mas porque há petróleo debaixo do chão que você pisa. Filma os primeiros ataques mas, ao contrário de todos os jornalistas internacionais, mostra mais do que explosões na calada da noite, acompanha os iraquianos desesperados tentando recuperar pessoas presas nos escombros. Quando retorna ao país após a guerra, encontra um país em estado de sítio, completa confusão econômica e o saldo da guerra: vidas e famílias destruídas, sem rumo. O preço do “progresso” americano.

“In the Shadow of the Palms” é um exemplo do que a tecnologia nos trouxe de bom. Um homem com vontade, um pouco de dinheiro e uma minúscula câmera consegue nos mostrar a informação que a mídia e o exército americano se esforçaram para sonegar. Mas, como o mundo em que vivemos continua mais cinza do que cor-de-rosa, Wayne não conseguiu até agora que seu filme fosse distribuído mesmo já tendo sido selecionado para mais de 40 festivais internacionais de cinema. Então, é provável que você não consiga assistir o filme, ao menos que…enfim, se os Arctic Monkeys se tornaram um hit via internet…porque não?

O site do filme:
In the Shadow of the Palms

V de Vingança II

abril 28, 2006

Brincadeira, eu não vou escrever verborragicamente de novo sobre a HQ.

Mas achei esse artigo sobre o Alan Moore do Waldomiro Vergueiro (o cara mais bacana que usa suspensórios) no Omelete.

No Omelete

All right, I’m just like the next girl. Quem não gosta de fazer uma listinha. Vou fazer um esforço gigantesco para não inventar outra e coisa e fazer uma listinha de Top 5 mensal.

“Inspirada” pela grande quantidade de corações solitários a minha volta (será o frio?), vou elencar meus top 4 filmes e 1 música de amor “de verdade”. Sem je t’aime mon amour e sem “corridas para o abraço”.

1. Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças – Michel Gondry
Esse acho que todo mundo conhece. Garoto conhece garota, garoto e garota se apaixonam. Garota termina com garoto, garota contrata empresa para apagar garoto da cabeça (e quem nunca achou a idéia absolutamente brilhante?).
Esse entra aqui por que de uma paixão de verdade no final só sobram as lembranças, e isso é melhor do que muita coisa nessa vida. Quer coisa mais romântica que o Jim Carrey “lutando” para não tirarem a Clementine da cabeça dele?

2. Depois do Pôr do Sol – Richard Linklater
Eu costumo odiar continuações (exceto Gremlins e Harry Potter é claro). Mas eu gostei mais desse filme do que o primeiro (Antes do Amanhecer). No primeiro filme, dois jovens têm um encontro idílico em Viena. Eles nunca mais se encontram, até que dez anos depois meio que “se trombam”. E é isso, basicamente os dois conversando por Paris, sem beijos nem nada, não é um road movie, mas poderíamos chamar de um city tour movie. E o tempo acaba voando, com direito a Julie Delpy imitando a Nina Simone no final. Não é simplesmente romântico?

3. Closer, Perto Demais – Mike Nichols
O filme de Mike Nichols, inspirado na peça homônima, é uma observação delicada sobre natureza humana. E da nossa “insustentável leveza de ser”, como bem retratou Kundera. As crises de dois casais, traições e sacanagens. Grosso modo é isso o filme. Um filme sobre todas as coisas que a gente diz por dizer, diz para manipular, diz para ser amado, diz para dizer que ama. Um filme sincero sobre como conseguimos ser nossos próprios carrascos.

O ápice para mim é o diálogo entre a personagem de Natalie Portman e o de Jude Law:
– Só há uma maneira de terminar com alguém, é dizendo “Eu não te amo mais”.
– Você nunca deixou alguém que você ainda amasse?
– Nunca.

4. Beijos Roubados – François Truffaut
Todos os filmes com o personagem Antoine Doinel são ótimos (Os Incompreendidos, Antoine e Collette, Beijos Roubados, Domicílio Conjugal e O Amor em Fuga – até os títulos são bons). Primeiro a trilha do filme, “Que reste-t-il de nos amours” de Charles Trenet é deliciosamente melancólica, fala até de flores secas dentro de livros.

Nesse filme o personagem Antoine Doinel está na sua fase mais bonitinha Don Juan/Menino Maluquinho. Ele se apaixona pela patroa e pela menina ao mesmo tempo, mas e daí? Ele pode. E tudo termina delicadamente em um dia de outono, o menino e a menina sentados num banco de praça.

5. Music when the lights go out – Libertines em The Libertines
Ok, o que diabos a música dos Ex-Libertines (agora Dirty Pretty Things) está fazendo no meio dessa lista? Por que amor acaba, e amor acabando é romântico também, tá? E que metáfora mais bonitinha para isso do que “I no longer hear the music”.

Por que é isso a gente muda, as coisas mudam, o amor acaba e até pés na bunda podem ser românticos.

p.s. Oh boys, love is a bitch but life is swell.
p.s.3 Preguiça total de colocar links, just google it!